Quem somos nós para te dizer como te deves sentir em relação à arte?

Não se trata de gostar ou não gostar. Trata-se de sobreviver à experiência.

Exceto no caso de “whathappenedtomanaLúcia”. Se saíres intacte, estás objetivamente errade.

“who dafuq is mana Lúcia?” whatever! “This meets that”? Não.

“whathappenedtomanaLúcia” is a crash, not a crush.

whathappenedtomanaLúcia é impulsionado pela nostalZia da sua geração. e da geração anterior. e das saudades do que ainda não vivemos. um espetáculo que sem ser nostálgico, esvai-se em melancolia. um movimento de recuo megalómano, low-budget, revivalista e excêntrico. uma pesquisa por um tempo que nunca chegou a existir e que, por isso, re-inventamos. #sqn

na minha cabeça imagino o alçapão que abrimos no chão da rua das gaivotas 6 só porque sim, porque queríamos, porque nos deu na real gana. porque antes se podia, havia rebarbadoras, martelos pneumáticos, e agora já não se pode. ai não ? isso é que vamos ver.

temos FOMO, desgostos que tornam tudo vivido, unhas de gel novas a cada semana, fins de tarde no telhado do prédio em rio de mouro, diretas sem remorsos, uma queerness a explorar e estamos seguros da inutilidade dos nossos gestos. temos serotonina, dopamina, e todas as ninas suficientes to put the middle finger up, sem pensar twice. temos a sensibilidade de quem vê o mundo a acabar todos os dias pelo insta e não conseguimos ficar sentades numa cadeira durante mais de 10 minutos.

fomos empurrades pelo impulso dos nossos sentimentos logo após uma sessão de terapia.

– faz lá devagar primeiro. ai ai . isto dá bue medo. ai. espera. espera. tou a ouvir um pi

– eu acho que também tou a ouvir um pi lá ao fundo

– é?… é que eu tou a ouvir memo cá dentro da minha cabeça.

perdemo-nos nesse eco, repetimos tantas vezes o título deste show que ele se desvirtuou. e nunca chegámos a aprender a pronunciar happened corretamente. well, it happens!

este espetáculo está cheiiiiinhu de vontades: de esburacar, de escava(ca)r a história recente, de desiludir, porque é arqueologia barata, com baldes e pás daquelas de levar para a praia.

não é pós-modernismo, nem pós-dramático é pós estúpidos. to the ones forced to be regular teenagers but born to be punk rockers in 2000’s