com Ludovico Roberto Ceriotto, José Fontoura, Tiago Saint-Maurice, Beatriz Caeiro, Carla Almeida, Tatiana U. Brandimiller e Paulo Pires
Esta exposição nasce de um processo de trabalho. Não de um instante. É o resultado de um tempo prolongado de observação, experimentação e decisão, desenvolvido em laboratório de preto e branco, onde cada imagem foi construída manualmente, exposta, debatida, revelada, interrompida e retomada. O ponto de partida foi a narrativa fotográfica de Edward Weston enquanto método. A partir da análise da sua obra, procurou-se estabelecer um diálogo crítico com o pensamento que sustentou o nosso fazer artístico. A fotografia foi entendida não como imagem isolada, mas como sequência, relação e respiração entre formas. Neste contexto, fotografar implicou editar, imprimir, rever, rejeitar e reenquadrar. A narrativa construiu-se tanto no acto de fotografar como no processo de revelação e ampliação. O que aqui vemos não é o objeto em si, mas a sua transformação em matéria visual. Pele, vegetal, pedra ou sombra tornam-se superfícies, ritmos e tensões. Ao trabalhar em preto e branco químico, a cor cede lugar ao contraste, à densidade e às subtis transições tonais. A fotografia afirma-se, assim, como desenho com luz. O corpo, os vegetais e os objectos surgem como paisagem, não como retrato. Fragmentados, aproximados, desfocados ou atravessados pela luz, deixam de ser identidade para se tornarem território. As imagens de Ludovico Roberto Ceriotto, José Fontoura, Tiago Saint-Maurice, Beatriz Caeiro, Carla Almeida, Tatiana U. Brandimiller e Paulo Pires não procuram documentar: propõem uma possibilidade de interpretação, um desafio que se forma entre ver e pensar.