Miguel Bonneville fez música, vídeos e apresentou performances e espetáculos nos mais variados contextos nacionais e internacionais, tendo exposto desenho, pintura e fotografia em galerias, museus, livrarias e outros espaços não convencionais. Por razões diversas, no ano em que celebraria vinte anos de trabalho, deu um passo atrás e afastou-se. A festa ficou por fazer.
A história podia ficar por aqui. No caso de Miguel Bonneville, o Teatro Praga propõe-se a alterar o curso dos acontecimentos, não tanto para celebrar, mas antes para relembrar e resistir. Reconhecendo a importância do seu trabalho ficcional a partir de pressupostos autobiográficos bem como a pluralidade de formas através das quais este se materializa, o Teatro Praga, em parceria com as companhias Cão Solteiro e Plataforma285, convidou o artista para ser o Artista do Bairro 2025 de 29 de setembro a 7 de novembro e fazer uma residência artística e criativa no espaço do Cão Solteiro . residências 120 e na Rua das Gaivotas 6.
No contexto desta residência que se inicia a 29 de setembro e finda a 7 de novembro, Bonneville irá coordenar três sessões públicas de entrada livre, inseridas na sua pesquisa para o projeto Animais Paisagens e Santos, no qual se encontra atualmente a trabalhar. No dia 12 de outubro, no espaço da Cão Solteiro . residências 120, irá moderar uma conversa entre três projetos artísticos de diversas disciplinas, oriundos de vários recantos do território nacional, para pensar o que significa expandir um bairro. No dia 20 de outubro, ao final da tarde, Miguel Bonneville apresentará a sua proposta de Menu de Artista, em mais uma rubrica da Rua das Gaivotas 6, onde falará sobre arte e iguarias. Já dia 1 de novembro, convida o público a participar numa sessão de escuta na Rua das Gaivotas 6. Por último, no dia 6 do mesmo mês, para fechar a sua estadia na Misericórdia, acolhemos um momento de partilha dos materiais criados ao longo deste mês.
Em paralelo ao programa Artista no Bairro 2025, acolhemos neste mês de Outubro a retrospectiva ‘Sentiste a minha falta?‘, que olha para a produção artística de Miguel Bonneville entre 2004 e 2025.
No fim, se sobrevivermos, talvez haja então uma festa. Se não houver, pelo menos escreveram-se e fizeram-se outras histórias.