Repetindo uma iniciativa realizada em 2024, um grupo de artistas organiza um evento de angariação de fundos para os coletivos pela justiça climática Climáximo e Greve Climática Estudantil (GCE). No dia 6 de dezembro, das 15h às 21h, na Rua das Gaivotas 6, o Leilão do fim do mundo irá receber quem estiver interessado em ajudar a pagar os custos de membros destes coletivos com multas e despesas judiciais decorrentes dos inúmeros processos levantados na sequência de ações de protesto e desobediência civil.
Aqui apresenta-se alguma informação sobre os valores, ações e número de pessoas envolvidas pelo coletivo Climáximo e, não havendo informação concreta nas páginas da GCE, sabe-se que também neste caso se trata de números elevados.
Assim, algumas dezenas de artistas visuais com práticas diferenciadas — da pintura à fotografia, passando pela escultura ou pela street art, entre outras — doam as suas obras para este evento, solidarizando-se tanto económica como simbolicamente com as ações destes coletivos.
As obras estarão fisicamente expostas e poderão ser apreciadas e licitadas ao longo da tarde, até à hora de fecho do evento.
“Quando a desigualdade se torna a norma e é tratada como um facto irreversível da vida económica, então as pessoas que sofrem com essa desigualdade agem em aliança, viabilizando e chamando a si a igualdade. Alguns podem refutar que a igualdade radical é impossível. Mesmo que tal fosse o caso — e não há qualquer boa razão para aceitar essa afirmação a priori — não seria possível pensar a democracia sem um ideal de igualdade radical.
Assim, a igualdade radical é uma exigência, mas não é dirigida às instituições que reproduzem a desigualdade. É dirigida às próprias pessoas, cuja função histórica é a criação de novas instituições. Esta chamada é para nós, e é este novo «nós» que se forma, episódica e globalmente, em cada ação e manifestação.
(…) Qualquer forma de política ganha ou perde legitimidade dependendo da capacidade de conferir igualdade às pessoas que afirma representar. Caso contrário, não representa — e como tal destrói a sua legitimidade aos olhos das pessoas.
Manifestando-se, agindo, as pessoas representam-se a elas próprias, incorporando e reanimando os princípios de igualdade que foram destruídos. Abandonados pelas instituições existentes, elas associam-se em nome de uma igualdade política e social, dando voz, corpo, movimento e visibilidade a uma ideia de “povo” que é regularmente dividida e apagada pelo poder existente.”
Judith Butler, So What